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O debate sobre crescimento da economia brasileira tornou-se uma verdadeira cruzada: ou conseguimos ou morremos na praia, atrasados na luta incessante pelo desenvolvimento. Há riscos de ficarmos para trás, observando o cavalgar ligeiro de gigantes como China e Índia, os manga-largas nessa corrida do crescimento. Entretanto, poucos ousam questionar de que tipo de crescimento está se falando. Para quem e quais podem ser os seus resultados globais. Aliás, ousar questionar tal evidência passou a ser considerado atestado ou de loucura ou de insensatez. Bom mesmo é crescer, não importando muito para que lado e a que custo.
Naturalmente, essa discussão torna-se mais difícil devido ao uso tradicional do PIB como índice de avaliação de progresso e criação de riqueza de um país. O próprio presidente Lula, em seu discurso de apresentação do Programa de Aceleração do Crescimento, acentuou a dimensão da renda como forma de diminuir as desigualdades do país. Sendo assim, a melhor distribuição da renda e a diminuição de disparidades regionais deveria ser um foco a ser observado no PAC.
Por mais encantador que seja o discurso de nos tornarmos um pouco mais ricos por meio da elevação da renda, é preciso jogar um pouco de água na fervura: não adianta ser rico num mundo privado de recursos naturais como a água; ou devastado por catástrofes resultantes do aquecimento global. Além do mais, não há garantias de que a simples elevação da variável renda, como tem anualmente demonstrado o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, por meio dos relatórios desenvolvimento humano, eleve por sua vez a qualidade de vida das pessoas.
Estas observações são necessárias para nos colocarmos uma questão fundamental: vale a pena crescer devastando? Apenas para se ter uma idéia do problema, um dado preocupante é constantemente divulgado por ONGs ligadas ao meio ambiente, segundo as quais o nível atual de produção mundial exige da terra 20% a mais do que ela poderia dar, ou seja, se é pra crescer desse jeito é melhor começar a fazer a contagem regressiva.
É necessário, portanto, colocar o PAC na sua devida perspectiva: um programa cuja finalidade é, a partir das bases atuais de mensuração, contabilizar monetariamente a circulação de produtos e serviços na economia brasileira de um ano a outro. Por meio tanto do PAC quanto do PIB obteremos informações ralas sobre nosso desenvolvimento, se é que estamos nos desenvolvendo.
O debate sobre desenvolvimento deve envolver perspectivas humanas com o conseqüente aperfeiçoamento de indicadores alternativos já existentes e a criação de outros que representem melhor a realidade do país e, porque não, de Estados, regiões e municípios. Este parece ser o grande desafio a todos e todas nós colocado.