Economia Política Cultura e Arte

Este blog tem o interesse de discutir e fazer provocações sobre temas que vão do cotidiano à política, economia, cultura e arte. Lógico que sem querer ser mais sério do que o rei e nem mais vagabundo que o malandro da praça.

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Arquivo de: Abril 2007

24.04.07

O Negócio é Chapa Quente

    De becos escuros soam os mais silenciosos estampidos de violência. Ela faz parte do dia a dia. A morte, o assassinato, as intrigas, o cheiro podre de vingança e traição, podem ser banais ou motivados pela complexa rede de tramas humanas, mas resultam numa só coisa: uma arma na mão e alguém estendido no chão.

    A comédia Chapa Quente, uma adaptação do mundo dos quadrinhos, leva o público, de forma humorada, a esse labirinto, viela imensamente escura de incertezas que é a vida. As esquinas guardam surpresas; o cara de gorro na esquina é uma surpresa; você não sabe no que vai dar buscar a “baranga” na favela com um desconhecido. Nada é presumível; tudo se desvela. Coisa alguma sai ao gosto do freguês. Afinal, o que é a vida se não um jogo de probabilidades?


Onde: Centro Cultural Vergueiro

Quando: Sábado e Domingo (28 e 29 - últimos dias)

  • criado por  marquinho criado por marquinho
  • Postado em 14:12:49

Acelerar Demais Pode Nos Levar ao Muro

categorias: Economia Política
É interessante perceber como o pensamento único às vezes nos pega de jeito e fica difícil, até para as melhores cabeças, fugir do seu enrendo. Quanto àqueles que insistem em nadar contra a maré, sobram certos adjetivos que não se dignam ser ostentados diante de parentes e amigos.

O debate sobre crescimento da economia brasileira tornou-se uma verdadeira cruzada: ou conseguimos ou morremos na praia, atrasados na luta incessante pelo desenvolvimento. Há riscos de ficarmos para trás, observando o cavalgar ligeiro de gigantes como China e Índia, os manga-largas nessa corrida do crescimento. Entretanto, poucos ousam questionar de que tipo de crescimento está se falando. Para quem e quais podem ser os seus resultados globais. Aliás, ousar questionar tal evidência passou a ser considerado atestado ou de loucura ou de insensatez. Bom mesmo é crescer, não importando muito para que lado e a que custo.

Naturalmente, essa discussão torna-se mais difícil devido ao uso tradicional do PIB como índice de avaliação de progresso e criação de riqueza de um país. O próprio presidente Lula, em seu discurso de apresentação do Programa de Aceleração do Crescimento, acentuou a dimensão da renda como forma de diminuir as desigualdades do país. Sendo assim, a melhor distribuição da renda e a diminuição de disparidades regionais deveria ser um foco a ser observado no PAC.

Por mais encantador que seja o discurso de nos tornarmos um pouco mais ricos por meio da elevação da renda, é preciso jogar um pouco de água na fervura: não adianta ser rico num mundo privado de recursos naturais como a água; ou devastado por catástrofes resultantes do aquecimento global. Além do mais, não há garantias de que a simples elevação da variável renda, como tem anualmente demonstrado o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, por meio dos relatórios desenvolvimento humano, eleve por sua vez a qualidade de vida das pessoas.

Estas observações são necessárias para nos colocarmos uma questão fundamental: vale a pena crescer devastando? Apenas para se ter uma idéia do problema, um dado preocupante é constantemente divulgado por ONGs ligadas ao meio ambiente, segundo as quais o nível atual de produção mundial exige da terra 20% a mais do que ela poderia dar, ou seja, se é pra crescer desse jeito é melhor começar a fazer a contagem regressiva.

É necessário, portanto, colocar o PAC na sua devida perspectiva: um programa cuja finalidade é, a partir das bases atuais de mensuração, contabilizar monetariamente a circulação de produtos e serviços na economia brasileira de um ano a outro. Por meio tanto do PAC quanto do PIB obteremos informações ralas sobre nosso desenvolvimento, se é que estamos nos desenvolvendo.

O debate sobre desenvolvimento deve envolver perspectivas humanas com o conseqüente aperfeiçoamento de indicadores alternativos já existentes e a criação de outros que representem melhor a realidade do país e, porque não, de Estados, regiões e municípios. Este parece ser o grande desafio a todos e todas nós colocado.

  • criado por  marquinho criado por marquinho
  • Postado em 12:27:17